16/10/09

Intertexto e interdiscurso

Leia os textos abaixo. O primeiro foi escrito no século XIX por Casimiro de Abreu, poeta romântico. O segundo foi escrito por Oswald de Andrade, escritor modernista do século XX.




MEUS OITO ANOS
Casimiro de Abreu

Oh! Que saudade que tenho
Da aurora da minha vida.
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais
Que amor, que sonhos, que flores
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
[...]




MEUS OITO ANOS
Oswald de Andrade

Oh que saudades que eu tenho
Da aurora de minha vida
De minha infância querida

Que os anos não trazem mais
Naquele quintal de terra
Da Rua de Santo Antônio
Debaixo da bananeira
Sem nenhum laranjais.
[...]

EXERCÍCIO 1: Ambos os poemas se intitulam "Meus oito anos". Compare-os.

a) Qual é o tema de ambos os textos?
b) Como o tema é abordado no poema de Casimiro de Abreu?
c) E como é abordado no poema de Oswald de Andrade?

EXERCÍCIO 2: Oswald de Andrade cita explicitamente o poema de Casimiro de Abreu, mas muda alguns de seus elementos, como o verso "debaixo dos laranjais", que troca por "sem nenhum laranjais".

a) Como você explica a concordância, ou a falta de concordância, em "sem nenhum laranjais"?
b) Que efeito de sentido essa opção provoca no texto?
c) Na opinião do poeta modernista, como seria uma infância de verdade, no Brasil?

EXERCÍCIO 3: Os dois poemas podem ser tomados como discursos, isto é, textos produzidos por um locutor numa determinada situação histórica e com a finalidade de criar certos sentidos, de atingir determinados interlocutores, etc. Levando em conta que todo discurso reflete uma ideologia, isto é, uma forma particular de ver e pensar o mundo, responda:

a) O discurso de Oswald de Andrade confirma, aplaude ou nega o discurso de Casimiro de Abreu?
b) Que efeito o discurso de Oswald provoca no leitor do texto?

Contexto discursivo

Os fatores que formam a situação na qual é produzido o texto chamamos contexto discursivo. E ao conjunto da atividade comunicativa, ou seja, à reunião de texto e contexto discursivo, chamamos discurso.

DISCURSO: é a atividade comunicativa - constituída de texto e contexto discursivo (quem fala, com quem fala, com que finalidade, etc.) - capaz de gerar sentido desenvolvida entre interlocutores.

Texto e discurso - Intertexto e interdiscurso

Segundo o teórico russo Mikhail Bakhtin, nenhum discurso é original. Toda palavra é uma resposta à palavra do outro, todo discurso reflete e refrata outros discursos. É nesse terreno que se situa o caráter dialógico da linguagem e suas múltiplas possibilidades de criação e recriação.

Como o DISCURSO é definido por diversos autores?

25/09/09

Exercício 7


(UEL-PR) Leia o texto a seguir, em que o jornalista Ronald Christ entrevista o escritor argentino Jorge Luis Borges, e responda às questões de 1 a 4.

Esta entrevista ocorreu em julho de 1966, em conversa que mantive com Borges em seu escritório na Biblioteca Nacional, da qual ele era diretor. O ambiente, que evoca uma Buenos Aires mais antiga, não era realmente o de um escritório, mas uma ampla e ornamentada sala, de pé-direito alto, na biblioteca recém-renovada. Nas paredes – mas altos demais para serem lidos com facilidade, como se pendurados com timidez – estavam vários certificados acadêmicos e menções literárias. Havia também diversas águas-fortes de Piranesi, recordando a fantástica ruína piranesiana no conto de Borges “O imortal”. Acima da lareira havia um grande retrato. Quando perguntei à secretária de Borges, sra. Susana Quinteros, a respeito do retrato, ela respondeu num eco adequado, ainda que não intencional, de um tema borgiano: “No importa. É uma reprodução de outra pintura”.
(CHRIST, R. Os escritores: as históricas entrevistas de Paris Review. São Paulo: Companhia das Letras, 1988. p. 197.)


1. Com base nos conhecimentos sobre o tema, é possível afirmar que o texto é predominantemente:
a) narrativo, já que busca relatar a experiência que o jornalista viveu.
b) argumentativo, uma vez que se apresenta por meio de raciocínio lógico.
c) preditivo, desenvolvido para permitir ao leitor que preveja como será a entrevista.
d) dissertativo, iniciando-se com referências de tempo e espaço.
e) descritivo, pois o jornalista tenta recriar para o leitor o espaço que visitou.

2. Os vocábulos “piranesiana” e “borgiano” resultam em:
a) concordância entre autor e obra.
b) exaltação da arte.
c) caracterização do termo antecedente.
d) retomada do termo antecedente.
e) referências narrativas.

3. Com relação ao trecho “O ambiente, que evoca uma Buenos Aires mais antiga, não era realmente o de um escritório, mas uma ampla e ornamentada sala, de pé-direito alto, na biblioteca recém-renovada”, é correto afirmar:
a) Os termos sublinhados relacionam-se com a palavra “ambiente”.
b) O termo “evoca” confere uma atmosfera sobrenatural ao ambiente.
c) Existe uma contradição entre “Buenos Aires mais antiga” e “biblioteca recém-renovada”.
d) O termo “ornamentada” indica exagero na decoração do escritório.
e) O termo “pé-direito” refere-se ao piso do local.

4. “Nas paredes – mas altos demais para serem lidos com facilidade, como se pendurados com timidez – estavam vários certificados acadêmicos e menções literárias.” Esta passagem demonstra:
a) o esforço de Ronald Christ para ser imparcial.
b) a modéstia de Jorge Luis Borges.
c) a dedicação da secretária em manter o local arrumado.
d) o desinteresse dos freqüentadores da biblioteca por títulos acadêmicos.
e) o descaso das autoridades com os espaços públicos.

Exercício 6

Defina com as suas palavras: TEXTO VERBAL, TEXTO NÃO VERBAL e LINGUAGEM MISTA.

Exercício 5

Faça uma pesquisa sobre a etimologia da palavra texto.

LEITOR COMPETENTE E LEITOR CRÍTICO


LER – Dicionário Houaiss da língua portuguesa (retirado do dicionário eletrônico)

1. percorrer com a vista (texto, sintagma, palavra), interpretando-o por uma relação estabelecida entre as sequências dos sinais gráficos escritos (alfabéticos, ideográficos) e os sinais linguísticos próprios de uma língua natural (fonemas, palavras, indicações gramaticais);
2. ter acesso a (texto, obra etc.) através de sistema de escrita, valendo-se de outro sentido que não o da visão;
3. conhecer, através de exame mais ou menos extenso (o conteúdo de um texto, obra etc);
4. dedicar-se, entregar-se à leitura como hábito ou como paixão;
5. interpretar (ideia, conceito mais ou menos complexo ou pensamento de um autor, pensador etc.); compreender;
6. atribuir (significado, sentido ou forma) a (algo que se vê); interpretar;
7. perceber, adivinhar, interpretar (sentimentos, pensamentos não formulados ou ocultos) guiando-se por indícios mais ou menos subjetivos; decifrar o que não se revela facilmente, o que está além do literal;
8. deduzir, guiando-se por indícios objetivos (alguma coisa não explícita, não declarada mas indiretamente constatável); inferir;
9. prever, presumir (algo), formular (hipóteses), a partir de dados objetivos, conjecturar.


Ler bem, ou ser um leitor competente, não é apenas compreender o que está dito, mas compreender também o não dito, as entrelinhas, o implícito no texto.


O leitor crítico é aquele que, diante de qualquer texto, verbal ou não verbal, coloca-se numa postura ativa, de análise, de resposta ao texto lido. Ele não só analisa o texto, mas também os demais elementos da situação de produção: quem fala, para quem fala, em qual contexto e momento histórico, em que meio ou suporte de divulgação, com qual intenção, etc.

O leitor competente é aquele que, além do sentido das palavras, descobre também o significado das pausas, dos silêncios, da pontuação... Ler, neste sentido, é assumir uma postura ativa diante do que lemos ou escutamos. Só assim podemos ser leitores competentes e críticos, prontos para o exercício da cidadania, prontos para a vida.


Reflita sobre o assunto entre 10 e 15 linhas.